RELATO: O carro sujo era o de menos. Mas a parte mais difícil não precisei fazer

O nosso reencontro foi casual. Aconteceu em uma lotérica e a nossa conversa foi rápida, não chegando a dois minutos. Porém, foi o suficiente para saber que ela não estava mais casada e havia voltado a morar com os pais.
Tocado por uma “paixão do passado”, pois havia paquerado esta moça quando tinha 18 anos, resolvi me comunicar com ela. Como os meus métodos para procurar alguém são “obsoletos” na era digital, fiz da maneira mais difícil: joguei o seu nome no Google e encontrei um e-mail de um blog de uma academia que ela faz parte. Escrevi no mesmo dia, porém não obtive resposta até sábado.
Sábado à noite, quando não parava de pensar neste possível encontro e nela, tomei uma decisão mais direta, porém ainda “obsoleta”: procurar o seu telefone fixo na lista telefônica. Obtive êxito, consegui conversar com ela. E aqui que a história realmente começa...
O Telefonema
Acredito que foi estranho para ela saber que era eu... ainda mais em um telefone fixo! A nossa conversa começou com alguns questionamentos da parte dela: “Por que você ligou?”, “Como achou e sabia o telefone da casa dos meus pais?”, “Por que você não tem celular???!!!”...
Minhas respostas foram diretas e demonstrando interesse e a satisfação de tê-la reencontrado. Deixei bem claro que gostaria de conversar com ela outras vezes e, durante a conversa ela se tornou mais “receptiva”. Disse, também, estar surpresa por ter me encontrado.
Após responder as perguntas que estou cansado de ouvir (“Você não tem namorada?”, “Você não sai?”, “Por que escolheu ficar sozinho?”, etc.) disse que a minha atitude “corajosa” de ligar para ela foi o fato dela valer a pena e não podia deixar passar a oportunidade de manter o contato depois que aconteceu o nosso encontro. Combinamos de sair.
O Primeiro (e último!) Encontro
Passei na casa dela as 21horas. Fomos até um Açaí. Um lugar agradável, poucas pessoas, tranquilo, ideal para casais que querem conversar. Estava satisfeito de estar com ela. Afinal, havia mais de 2 anos que não saia com uma mulher. E, além do mais, na minha frente estava uma paixão da adolescência.
Começamos a nossa conversa meio que de forma despretensiosa. Assuntos profissionais, comentários sobre o nosso dia. Mas, se estávamos ali, a conversa iria tomar um outro rumo em algum momento.
E tomou. Começamos a falar sobre nós: interesses, experiências e relembramos, também, do nosso passado. Quando eu tentei, há uns 18 anos, ficar com ela e recebi um fora (mal sabia, naquele momento, que o fim seria o mesmo). Como achei que ela estava afim, resolvi soltar a minha “artilharia” : disse que estava feliz de tê-la encontrado, que pensei muito nela do encontro na lotérica até naquele momento, que sempre achei ela linda, etc. Ela ressaltou que tínhamos algumas diferenças: gostos musicais, interesses, opiniões. Mas, falei que isso não seria problema se o beijo dela fosse bom. E fiz uma pergunta que não deve ser feita: “Posso te beijar?”. A resposta foi afirmativa e, então, aconteceu.
O Beijo
Fazia mais dois anos que não beijava. Mas, acredito que sei como beijar. Estranhei sua atitude quando nos beijamos, mas não comentei nada: ela apenas encostou sua boca na minha e não esboçou nenhuma reação. Foi menos que um “selinho”, pois ainda no selinho a gente beija como se estivesse beijando o rosto, porém não tem língua.
Ela ficou imóvel. Tentei, com a minha língua encontrar a dela, mas só encontrava os lábios fechados. Após uma certa insistência, ela abriu a boca, mas ainda não foi um beijo gostoso.
Quando paramos, menti. Disse: “Nossa... o seu beijo foi muito bom!”. Velho... tinha sido ridículo! Entendo que ela fez de propósito, pois alguém que foi casada não beija desta forma. Ela queria, já naquele momento, me afastar com estas atitudes.
Mas, “Tudo bem para o primeiro beijo, os próximos serão melhores”. Nos beijamos novamente e foi medíocre.
Sem problemas... paguei a conta (uma atitude imbecil que na hora acreditava que estava sendo “cavalheiro”) e fomos até o carro. Achei que ela estava gostando, pois na hora que estávamos no caixa, fiz um carinho em suas costas e cabelos e ela me abraçou. Talvez, foi uma atitude “social” perante a mulher do caixa.
Saímos de mãos dadas até o carro. E, claro, aqui aconteceram alguns beijos e comentários...
No Interior do Carro
Estava começando a garoar e ficamos um pouco na frente do Açaí. Trocamos alguns beijos, um pouco melhor do que os lá de dentro, porém sem muita vontade da parte dela. Fiz alguns carinhos em seu rosto, cabelos, nos abraçamos e eu achei que ela estava curtindo o abraço. Engano meu...
Enquanto estávamos abraçados, ela olhou por cima de meu ombro o interior de meu carro e soltou exatamente este comentário: “Seu carro está zuado, não acha?!”. Respondi afirmativamente e disse que não me preocupava com o carro, pois o mesmo era apenas um meio de transporte e não alguma coisa que usava para “ostentar”.
Mesmo assim, ela não aceitou bem e disse que limpar o carro é questão de higiene. Mas, o carro não estava imundo ou cagado. Havia, sim, sujeira nos tapetes devido ao fato do estacionamento onde trabalho ser na terra e algum pó no painel.
Bom, fomos até a sua casa e trocamos mais alguns beijos. Ali, os últimos foram melhores e penso que ela meio que “cedeu” a minha insistência. Inclusive, ela fez até alguns elogios sobre minha pessoa: disse que me achava bonito, gostava do meu nome, etc. Deixei bem claro que não tinha ido atrás dela apenas para alguns beijos e queria vê-la outra vez. Acredito que ela queria terminar ali qualquer possibilidade de reencontro, mas como sou doce e educado, ela não teve coragem e acabou aceitando.
O Pós Encontro
Fiquei feliz. Havia ficado com uma moça que não tinha conseguido na adolescência. Cheguei em casa eufórico, crente que ela também estava. Como sou bobo...
Escrevi para ela sobre o nosso encontro e de como havia gostado. Queria deixar registrado a ela que ela valia a pena e que meus interesses seriam mais sérios que apenas um encontro casual.
Na segunda-feira, ela respondeu o e-mail, de forma amigável.  Disse, também que tinha gostado e que poderíamos conversar outras vezes.
Conforme ela se mostrava receptiva, eu demonstrava cada vez mais interesse. Inclusive, um dos meus erros fundamentais foi o excesso de atenção. Deveria ter escrito depois de uns 2 dias, sem muita pretensão. Mas, como minha natureza é ser gentil, atencioso, romântico (atitudes valorizadas há 50 anos atrás), fiz o que não devia. E, na segunda, após ler o e-mail dela quando cheguei a noite, escrevi novamente e com palavras mais doces.
A Mudança de Atitude
Na terça, ela não respondeu ao e-mail. Mas, para minha surpresa, ela ligou em casa. Achei que íamos ter uma conversa agradável, mas como sempre, estava enganado.
Ela começou a conversa dizendo que tinha uma coisa chata para dizer. Num tom bem agressivo, de alguém que quer começar uma discussão, comentou que não tinha gostado de algumas coisas do nosso primeiro encontro e que não queria dizer por e-mail, por isto ela ligou:
Ela achou uma falta de educação eu ter ido busca-la com o carro sujo. Onde já se viu uma atitude deste tipo com uma moça igual a ela? Isto demonstra uma falta de respeito e essa atitude já era o suficiente para que não nos víssemos mais, pois ela comentou que o carro dela é bem mais cuidado.
Ela não gostou de eu ter comentado na nossa primeira conversa, durante as nossas experiências, que tenho “quedas” por professoras de Português. Ela disse que, se não estava feliz, poderia ir até universidade no curso de Letras que encontraria muitas meninas por lá.
Comentou que tínhamos muitas diferenças e que seria melhor a gente parar por ali.
Bom, como estava muito bem, resisti ao seu “joguinho” de querer brigar no telefone e respondi, calmamente, cada uma de suas chateações:
Justifiquei que não houve tempo hábil para lavar o carro do sábado à noite quando combinamos de sair até no domingo à noite, visto que trabalhei de manhã e tive compromisso também à tarde.
Comentei que se estava sozinho, tinha que mudar o foco e que talvez as professoras de Português realmente não sejam as pessoas certas para mim.
Disse que as nossas diferenças não teriam importância se a gente se respeitasse, se o sentimento entre nós fosse verdadeiro e que, com o passar do tempo, iríamos “aparar as arestas”.
Com estas atitudes, consegui um final diferente para o que ela havia planejado quando ligou. A gente ia continuar a se ver.
De volta aos E-mails
Trocamos outros e-mails. Os e-mails de quarta e quinta foram muito amigáveis. Inclusive, escrevi como se já estivesse namorando. Disse que estava com saudades, não via a hora de beijá-la outra vez, reforçava a sorte de tê-la encontrado, etc. Ela retribuiu os e-mails. Foi atenciosa até me mandou duas fotos.
Porém, o meu excesso de atenção voltou a aparecer. Pois, funciono da seguinte forma: quanto mais a moça é receptiva, mais eu me entrego. E, vejo que hoje em dia, isto é um erro! As meninas precisam sentir insegurança e não se sentirem confortadas por alguém que demonstra o que sente.
Havíamos combinado de nos encontrar na casa dela para que eu pudesse tirar algumas dúvidas da matéria que dou aula.  Porém, devido ao conflito de horários, não pudemos nos encontrar. Mas, nos e-mails, deixava claro que a minha saudade estava aumentando e, o fato de não encontra-la na sexta, tinha me deixado mais chateado.
O Último Telefonema
Na sexta-feira, na hora do almoço, liguei no seu telefone fixo. Acredito que isto, também, foi uma de minhas características que a deixou bem incomodada. Comecei a conversa abrindo o meu coração: disse que tinha ligado, pois a minha saudade havia aumentado, sabendo que não tínhamos nos encontrado pessoalmente naquela manhã. E, cometi o maior erro: questionei sobre o seu sentimento, se ela também estava com saudades.
A sua resposta foi com outra pergunta: “Por que você quer saber isso?”, disse com uma voz de desconfiada. Respondi no alto de minha inocência: “Ué... para saber se o que sinto é recíproco”. Após isto, ela não respondeu sim e nem não. Insistindo no meu erro crasso, querendo uma resposta, comentei que ela tinha que ser sincera e se não sentisse nada, teria que dizer.
Então, ela respondeu: “Ah... não teria coragem de dizer isto”. Ou seja, para um bom entendedor, esta frase já explicaria todas as suas atitudes, pois deste o primeiro encontro, ela não queria mais me ver. E, ela estava em conflito consigo mesma por não ter obtido êxito no telefonema de terça e ter aceitado se encontrar comigo outra vez.
A conversa esfriou... claro que, no fundo, ela não queria que tivesse ligado ou questionado sobre o seu real sentimento, pois ela não queria ser sincera. Não sei se por dó ou para manter o “joguinho” por mais alguns dias.
O “Fim Adiado” Finalmente Chegou
Ainda na sexta-feira durante a tarde e noite eu estava no curso. Não acessei o o e-mail e, então, não estava atualizado sobre o que havia acontecido.
Ela mandou um e-mail com o assunto: “Sinceridade”. Basicamente, a mensagem foi: “Não tive coragem de dizer por telefone, mas não quero mais sair contigo. Temos muitas diferenças e não quero que você alimente falsas esperanças. Ficamos juntos uma vez e para mim foi suficiente. Tenho outros planos e, portanto, acho melhor não nos vermos mais. Por favor, não ligue aqui em casa porque não gosto de conversar no telefone fixo. E, também, acho que uma conversa pessoalmente é desnecessário. Não fique bravo comigo. Seja feliz”.
Putz... foi chato ler, mas de certa forma, já estava esperando por isto. Realmente, acho que tenho que seguir sozinho e as mulheres de hoje não merece uma pessoa como eu. Claro que talvez existam mulheres de valor. Mas, ainda não encontrei uma que realmente desse certo. Bola pra frente!
Respondi o e-mail polidamente e de forma bem sucinta: “Olá! Tudo bem? Espero que sim... Ufa... que bom que você fez a sua escolha, pois me livrou da parte mais difícil... Grande Abraço e sucesso”
Deste então, não conversamos mais. Seja por e-mail, telefone ou pessoalmente.
Na minha análise
Resumidamente, ela já queria pular fora deste o primeiro encontro.A minha insistência só a fez postergar o “fora” para sexta-feira. Depois do fora, percebi que ela já tinha me dado vários sinais para cair fora. Ela só não queria ser a “malvada” na história e me dispensar.
Como percebemos, ela não queria ficar por baixo em nenhum momento e queria que eu tivesse tratado mal para que ela fosse a “vítima”, caso precisasse contar sobre isto para a família ou amigos.
Desde o beijo sem reação, passando pela conversa agressiva de terça, ela já estava dizendo que não estava afim. Na verdade, a minha carência e falta de experiência foi ter tentado insistir em algo que já estava perdido.
A gente sempre comenta: as mulheres de hoje não querem as atitudes de caras como nós. Elas precisam ser ignoradas, se sentirem inseguras para sentir alguma coisa. Pelo visto, educação, cavalheirismo, doçura, atenção, etc. é o que afasta as mulheres.

Não é a toa que estou sozinho...

Relato enviado por leitor

2 comentários :

  1. Se você é um cavalheiro, age corretamente etc. você é tido como "enfadonho e sufocante" - então não funciona! Precisamos nos adaptar às novas contingências...

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  2. Cara na boa, quando vc disse que no telefone ela ficou desconfortável e depois do "beijo sem reação" se fosse comigo eu já desencanava a partir daí porque estava na cara que ela não estava gostando de vc e pra mim a gota d´água foi ela ter falado do seu carro.
    Seu erro foi demonstrar excesso de atenção, mas pelo que vc relatou, não ia rolar de qualquer forma. Se a mulher estiver gostando de vc, o certo é dar espaço pra ela vir atrás. Se ela não vier, foda-se, existem outras.

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