Você não passa de um potinho de esperma


Talvez esse seja o relato mais longo do Verdades Inconvenientes. E é porque, além de ser real, comparo-o a uma história que só vemos em novelas ou filmes por tamanhas revelações ao longo do período em que ele aconteceu.

Tudo começou com um término. De namoro. Depois de anos com uma mulher pouco mais nova que eu veio o tradicional desgaste da relação e, mesmo sendo quase um "filho" da família dela de tanto que me amavam, ela ainda assim e por outros motivos que mostravam sua nítida imaturidade, não quis mais.

Me vi carente. Não estava preparado, afinal éramos estáveis sentimentalmente. Me vi um tanto quanto ferido, pois eu fazia de tudo para agradar, e depois de um longo tempo, do nada, tudo acaba como não se espera ou pretende.

Nas semanas que vieram fui da frustração à raiva e ao mesmo tempo um desejo insano de conhecer o mais rápido possível outra mulher para provar a mim mesmo que o culpado não era eu e porque não fazer a ex enxergar que quem estava perdendo era ela? Este erro foi fatal.

Foram dias e noites a fio em chats, aplicativos de namoro, sites de encontros, entre outros recursos que eu via no momento para tentar conhecer alguém mais interessante (na época eu estava trabalhando em uma empresa que liberava internet para todos) , pois fiquei "preso" por anos me dedicando a uma mulher e com isso nem tinha mais contato com amigos que eu convivia antes de conhecê-la.

Até que um dia encontro o perfil de uma mulher da mesma idade minha, morando na mesma cidade e que, a princípio se mostrava interessada também em me conhecer e conversar pessoalmente. Nunca levei a sério encontros pela internet, nunca acreditei em gente que podia encontrar a sua "metade da laranja" certa por esse meio, mas como já naquela época casais formados por se encontrarem via chats e outros comunicadores de internet eram cada vez mais comuns de se ver, decidi arriscar, afinal pessoas podem se conhecer em qualquer lugar, porque não pela rede?

Ela não tinha, digamos, o padrão da mulher atraente quando a vi pela primeira vez, mas aos poucos o fato de eu ter identificado inúmeros pontos em comum com ela me deixava mais confortável em ficar ao seu lado e ser reconhecido como uma boa companhia.

Devagar ela me mostrava que sabia como nenhuma outra seduzir, me conquistar com bom sex0, energia sexual a mil, carinhos de mulher de verdade, totalmente independente e uma vida financeira bastante estável pelo que ela me informava. E isso me fazia admirá-la numa intensidade cada vez mais forte, pois numa visão mais "crua" ela não tinha nada a oferecer em relação ao aspecto da sedução pelo simples fato de não ter "armas" visíveis para tal (aparência).

Em pouco tempo eu já estava praticamente morando com ela, finais de semana inteiros juntos, porém quase sempre na cama. E não era dormindo.

Ela dizia dividir a casa com o irmão. Eu sempre via roupas de homem em alguns cantos da casa e sempre perguntava por ele, mas ela sempre alegou que tal irmão, além de trabalhar justamente no horário habitual que eu estava lá com ela, não gostaria de conhecer nenhum outro homem que se relacionasse com a irmã dele pelo bizarro fato dele preferir toda a vida que um outro cara, que a namorou por muitos anos, fizesse par com a irmã. Pois a família também pensava assim, gostava muito desse tal cara. E foi com esta desculpa que eu jamais conheci este irmão e qualquer membro da família dela, afinal, ela morava somente com ele aqui em minha cidade. E pai, mãe e outros irmãos moravam em uma cidade vizinha.

Cheguei a perguntar algumas vezes nesse um ano de relacionamento qual o maior sonho dela e a resposta era sempre a mesma: um dia poder ter um filho, ser mãe. Eu falava dos meus sonhos (nenhum deles citava ser pai, ao menos naquela época) e a cada dia nos sintonizávamos muito bem, mas não pelos sonhos, afinal cada um tinha o seu. E sim pelos hábitos e pensamentos sobre a vida a dois.

Raramente, em alguns finais de semana eu achava estranho o fato dela meio que fugir de mim e ligar antes, bem perto dos dias em que a gente se via, dizendo que iria visitar a família, na cidade próxima. Nunca me levou, nunca fez questão que eu a acompanhasse, até porque ela não dirigia e era o tal irmão que a levava.

O tempo foi passando e a intimidade física de um casal que vivia muito conectado, como a gente, só crescia. Porém chegou uma fase que ela queria mais, queria que eu confiasse nela a ponto de fazer sexo sem preservativo. Ao mesmo tempo que ela se irritava por eu não querer arriscar isso em nenhuma das vezes que íamos para a cama, me tranquilizava alegando que, com o tratamento que fazia por conta de alguns problemas sérios de saúde (psicológica e física) jamais poderia engravidar. Eu me sentia muito mal a cada vez que me protegia para a relação. E ela, mesmo extasiada, se mostrava frustrada por eu não ter "terminado" o sex0 como um casal "oficial" que vive há anos juntos fariam, por exemplo.

Passaram-se meses até que um dia aconteceu. Eu não confiava cem por cento nela, mas ao ser cobrado com a frase "você não me ama, você não confia em mim" de forma mais frequente me fez deixar de lado, ao menos uma das dezenas de vezes que fomos para a cama dela, algum receio sobre ocorrer de um dia ela ter um bebê meu.

Numa manhã de segunda-feira ela me comunica que fez um desses testes de farmácia e que estava dando positivo. Com uma certa euforia e preocupação. Fiquei tranquilo, pois lembrei de todas aquelas conversas que tivemos sobre a saúde dela, que ela precisaria fazer um tratamento pesado se quisesse engravidar um dia (orientação de médicos), pois os remédios que tomava a fim de controlar os problemas de saúde de longa data (e não eram poucos, alguns deles até afetavam diretamente a relação e eu via algum sofrimento por parte dela em vivenciar estes problemas) a impediriam completamente de ter uma criança.

Não demoraram mais que algumas semanas para que ela viesse a me apresentar exames feitos em laboratório médico mostrando que a gravidez estava confirmada. Nesse momento eu demorei um pouco para fazer "cair a ficha" que estava prestes a ser pai. Mas acabei por cair na real e comecei a me programar, pois minha vida ia mudar dali para adiante.

Eu não estava muito confortável com aquela ideia, pois não era meu projeto de vida no momento e nunca tinha pensado em ser pai, porém já me encontrava na fase da preparação para receber um filho, mesmo sendo com uma pessoa que eu nem sabia ainda se poderia amar de verdade, por conta dos comportamentos estranhos devido a depressão que ela tinha (variações extremas de humor, suspeitas de mentiras que estava mesmo passando o fim de semana com a família, a vontade de me "moldar" para que eu desse prioridade ao ato de ser pai, falácias sobre eu não ser capaz de dar atenção suficiente para a criança quando começasse a andar...sem que a mesma tivesse nascido! entre outras atitudes distorcidas com a realidade) ou por causa da discrepância sobre um compromisso ao que eu tinha imaginado para a minha vida.

Procurei dar todo o suporte, atenção e preocupação que tinham de ser dados a uma mulher grávida, ainda mais de um filho meu. Com a gravidez, depois de alguns poucos meses, ela percebeu que eu não estava tão tranquilo, afinal sabia que eu não tinha intenção de ser pai naquela época, sem planejar absolutamente nada e nem tinha projetado morar com ela. E começaram as mentiras insanas: problemas de saúde dela afetando diretamente a gestação e até gerando dúvida se o bebê iria resistir ou não no parto, possibilidade dela mesma morrer na hora de dar a luz e até um início de câncer (o mesmo que acometeu a mãe dela, na época recentemente falecida) e que exigiria sessões de quimioterapia para salvar ou a ela ou ao bebê. Tudo isso saía da boca dela sempre usando tons extras de dramatização. Falava como se ela estivesse sendo uma vítima, carregando um peso de cem toneladas e eu não ajudando a carregar nem uma grama desse peso.

Me propunha a acompanhá-la nas consultas médicas, a fim de saber o andamento da gravidez e dar o suporte emocional necessário. Nunca me manteve informado sobre as datas e sempre evitou que eu a acompanhasse. Mal sabia eu que ela já estava tendo este suporte! (conto mais adiante).

Com muitas dificuldades relatadas por ela quase que diariamente (mas nunca permitindo que eu estivesse mais presente/ próximo) e com um certo comportamento de ocultação sobre como andavam as consultas, um certo dia a procuro e pergunto como estavam as coisas, como eu sempre fazia. Ela me relatara que estaria na cidade vizinha (onde ela nasceu), ao lado da família dela e dando início a um tratamento mais intensivo para um início de câncer, o qual estava fazendo ela até perder cabelos (não me enviara fotos em nenhum momento e raramente estava em minha cidade para que eu a pudesse vê-la e acompanhar a situação ou procurar oferecer algum auxílio). Eu ficava sabendo de tudo ou parcialmente por mensagens de texto e ligações.

Aflito e sem saber o que fazer eu me preparei para duas situações: a cura dela e a continuação da gravidez, de forma segura e também para uma possível perda do bebê. Possibilidade esta última relatada por ela de forma bem incisiva e até às vezes bem dramática e pessimista.

Não demoraram muitas semanas para que ela viesse um dia me procurar por telefone (era só assim que na maioria das vezes nós conversávamos, por repentinos afastamentos dela) para dizer que perdeu o bebê.

Fiquei bem perplexo, sem saber o que falar e como reagir. Pessoalmente, quando pude vê-la, me descreveu em detalhes como foi o procedimento: justificando que ao fazer o tratamento para o início do suposto câncer ela teve de passar pela ressonância magnética e a radiação havia afetado de forma inevitável o bebê. E o médico o retirou do ventre, já morto e de costas para ela, para não chocá-la ainda mais. E que ela estava a salvo.

Mal sabia eu que era tudo uma encenação de uma atriz digna de óscar. Ela, como fez em outras oportunidades, não me deixou estar presente para testemunhar tal ocorrido. Porém, na época eu acreditei em tudo, afinal minha mente estava bem perturbada pelo modo em que as coisas aconteciam.

Tive duas sensações ao mesmo tempo: uma de um certo alívio. Pois era uma gravidez num momento indesejado para mim, apesar de estar devidamente conformado com o fato de assumir o filho com todas as obrigações de pai, já que a única incerteza minha era sobre ficar com ela ou não, já que de fato e até então, não conseguia amá-la de forma mais notável. A outra sensação era de frustração misturada com um pouco de preocupação com ela, que queria muito ser mãe e agora enfrentaria esta "perda" terrível muito mais para ela do que para mim. A frustração era por conta de eu já estar vivendo aquele clima de ser pai e esperar ansiosamente pela criança também.

O relacionamento até continuou depois disso, porém, dentro de um período curto, a intimidade foi esfriando por ambas as partes, mas ela continuava a investir no enxoval e outros itens para o quarto do bebê. Achei estranho e questionei, mas ela prontamente respondeu que ainda comprava coisas para um bebê somente porque queria "terminar" de montar aquilo. Não dei muita importância, pois pensei: coisa de mulher! E as semanas se passaram.

Resolvemos terminar, pois eu não aturava mais as variações gigantes de humor dela (bipolaridade grave) e "fugas" repentinas para a cidade da família. E um dia, por telefone mesmo, ela quis deixar bem claro que era ela quem não queria mais e iria me deixar livre para encontrar uma outra pessoa para minha vida. Porém deixou no ar uma mensagem: que se eu a visse com alguma coisa minha, não era pra espantar. Se eu a visse por aí... Eu imediatamente respondi irritado que se ela tinha mais alguma coisa que ela havia escondido de mim nesse tempo de namoro, que era para ela falar logo. Mas encerramos a conversa.

Mesmo depois de terminar ela me ligava. Houve um dia que fez chantagem para que eu fosse vê-la, pois não estava bem com o término e ameaçava se matar. Desligou o telefone dando a entender que iria fazer algo, mas como eu já estava quase inteiramente vacinado em relação às atuações circenses dela, não fui atrás. No dia seguinte, pela manhã, o "irmão" dela me liga (o mesmo que nunca quis me ver pessoalmente) e me avisa que ela estava no hospital, pois teve de fazer uma lavagem estomacal devido a remédios que ingeriu, tentando se suicidar. Ele me ligou alegando incisivamente que somente fez isso pois ela que pediu para me avisar do ocorrido. Não sei até onde isso era verdade. Até hoje.

Depois destas ligações os contatos foram bem raros e uma certa noite recebo uma mensagem de texto por "engano", constando um nome de outro destinatário, descrevendo que o bebê estava bem, já estava dando chutes e que passaria de um certo local para fazer algo relativo ao trabalho dela. Ignorei, pois primeiramente não veio direcionada em meu nome e segundo que eu suspeitei de pronto que fosse mais alguma "infernização" por parte dela para me atrair novamente. E querer me enlouquecer para que eu quisesse saber mais detalhes sobre este assunto. Na minha mente se tratava de uma tentativa tão desesperada de aproximação que ela já estaria inventando coisas.

Dias depois, percebendo que a mensagem enviada errada propositalmente por ela não tinha me causado reação, me envia um e-mail pedindo para poder falar comigo. E que era sobre a gravidez. Ignorei. Pensei que estava num nível tão grande de carência que iria usar mais uma mentira, desta vez completamente absurda, para me atrair à ela. Em um curto espaço de tempo me enviou outro, dessa vez escreveu confessando que havia mentido sobre ter perdido o bebê e pedindo desculpas por isso.

Fiquei quase louco, mas ainda assim não estava acreditando que aquilo era verdade, pelo modo como muitas coisas estavam acontecendo. Resisti a qualquer convite de encontro para conversar sobre isso, pois pensava que estava lidando realmente com uma louca/ psicopata. Até que começaram as ameaças: colocar advogado para falar comigo, ir até minha casa sem avisar e contar tudo para as outras pessoas da minha família, entre outras.

Certa tarde marcamos de nos encontrar a fim de conversar num lugar público (exigência minha, pois com tantos ocorridos não sabia do que era capaz uma mulher dessa se eu fosse visitá-la na casa dela, por exemplo) e vi a barriga de grávida, desta vez bem mais notável. Aquilo parecia tão absurdo para mim que mesmo a vendo eu ainda pensava que ela poderia ser capaz de vestir uma barriga falsa, falsificar os exames que me mostrou, entre outras atitudes, só para me ter por perto ou para me fazer alguma outra coisa nada boa, por causa do término do nosso relacionamento.

Nesta conversa deixei claro que eu poderia até denunciá-la por atitude tão absurda da parte dela (não sei se existe isso de crime de ocultação de filho ou algo parecido) e que ela podia se dar mal com este caso. Me confessou que só resolveu contar porque ainda pensava que todo o esforço de preparar e reformar a casa dela para a chegada do filho iria me fazer mudar de ideia e ir morar com ela. No mesmo segundo expliquei que jamais poderia morar com alguém que fosse mentirosa num nível tão grave e que me escondesse este tipo de coisa. Como confiar numa mulher assim? A minha raiva era tanta que cheguei a falar que não queria ser pai numa situação destas. Ela chorou. Alegou que o filho poderia escutar isso, mesmo no ventre.

Com a minha recusa, no passar dos dias, ela foi se distanciando, mas eu continuava a enviar mensagens perguntando sobre o que precisava, de minha parte, para ajudar. Numa das mensagens trocadas ela até menciona que não sabia o que faria com "este inferno dessa gravidez", pois percebeu que eu não a amava. Em outra resposta citou que iria ter o bebê na cidade onde estavam os familiares dela (cidade vizinha) e que não era para eu me preocupar.

Talvez só a minha atenção dada a ela, para ela já era suficiente, já tinha conseguido o que desejava de momento, da minha parte. Mas não me deixava saber nem as datas das visitas ao médico. O bebê estava nascendo na mesma cidade em que eu morava, mas eu, naquele momento não sabia disso, pois acreditei na mentira dela: que estava na maternidade de outra cidade e com todo o amparo da família. Eu soube disso só depois, quando me consultei com advogado e ele me providenciou uma cópia do registro de nascimento da criança. E constava a própria cidade em que eu estava. Ou seja, ela escondeu até isso de mim.

Eu não podia mentir no meu trabalho para sair e acompanhá-la na fase que eu estava acreditando que ela iria fazer o parto em outra cidade. Afinal, nem ela fez questão disso, muito pelo contrário.

Mas em outra resposta, em mensagem, ela me informava que o bebê já havia nascido, estava tudo bem e ela e o atual companheiro dela já haviam o registrado. Bem, para mim não era surpresa ela ter voltado com aquele homem que ela disse ter convivido por anos antes de me conhecer. Eu pouco me importava com quem ela ia ficar. Mas já cometia ali uma divergência e um desacordo: não deixou que eu o registrasse como pai e outro o fez em meu lugar.

Obviamente no meio desta confusão toda eu também pensava sempre na hipótese deste filho não ser meu. Mas como poderia um casal que ficou há tanto tempo juntos (no caso dela e do ex companheiro, foram oito anos) chegando até a noivar e o maior sonho dela que era ser mãe, não conseguiram ter um filho e até de adoção ela me falava às vezes? Sempre me questionava isso.

Assim que aconteceu o nascimento da criança despendi uma boa grana em advogado para saber como proceder; eu nunca havia entrado num escritório de advocacia na vida (me sentia um criminoso pedindo ajuda), pois ela agora havia descumprido o que prometia e queria tanto: que eu registrasse a criança. Fui informado que judicialmente eu estaria desobrigado da pensão, mas também de todos os outros direitos como pai, pois ela colocou um outro homem para registrar a paternidade. Porém eu não estava tão preocupado com as burocracias e sim em ver o bebê e saber como era, como estava. Esta fase foi a mais difícil para mim nesta história toda.

Depois de alguns dias ela me chamou para ver o bebê. Estava muito bem, criança absolutamente saudável e pelos relatos dela, não dava nenhum trabalho. Os médicos se admiraram de tão tranquila que era a criança e que mal chorava. Saúde perfeita.

Peguei no colo. Chorei. Fui outras vezes na casa dela, pegava no colo, eu falava com o bebê, percebia que a criança me ouvia. Não tinha como negar que aquele bebê não era meu filho. Era bem parecido e com o passar de semanas ficava mais parecido ainda. Andava com o bebê no colo, pela casa dela. Isso aconteceu durante alguns poucos meses. Até que houve a última vez que vi e tive contato com a criança.

Ela começou a alegar que o bebê não poderia ter dois avôs, duas avós. Pois ela já havia selado união com o ex (agora atual) companheiro, sujeito o qual deve ter a acompanhado desde o primeiro dia em que ficou grávida, nas consultas médicas, na evolução da gravidez e até no parto. As resistências para que eu fosse outras vezes ver o bebê, ainda mais com pessoas de minha família, transformaram-se em ameaças.

Amedrontava que se eu fosse requerer algo, ela iria entrar com um processo contra minha pessoa. Que era para eu parar de ser canalha e nunca mais aparecesse na vida dela e esquecesse desta história, afinal agora a criança tinha mãe, pai e a família dela.

Creio que tais atitudes obviamente foram pelo fato de eu deixar bem claro que não iria viver com ela, uma mulher que mentiu de forma gravíssima e absurda para mim, pai biológico, mesmo depois do nascimento da criança. Mas agora vou iniciar uma série de revelações que darão sentido em várias incógnitas que surgiram na sua mente ao ler este relato.

Por dedução (e obviamente pelo "encaixe das peças"), após toda esta história, acabei concluindo que o tal irmão que ela dizia morar junto na mesma casa dela, o mesmo que nunca queria me conhecer alegando que o desejo dele era mesmo ver a irmã com um outro ex companheiro, nunca existiu. O que existia era um homem um pouco mais velho que eu, e que segundo ela, criado pela mãe dela junto com os outros irmãos. E a família se apegou tanto a este "órfão" que o colocou como se fosse um "prometido" a ser marido dela. Confuso? Pois é.

Sempre ouvi dela que este suposto irmão (que dividia a casa com ela) era adotivo. A mãe dela o criou junto com os outros filhos, porque era órfão. Este irmão tinha um gêmeo. Este gêmeo, então, era o tal ex, homem que toda a família gostava e queria que ela se casasse/ vivesse junto. E por isso o outro irmão que morava com ela não queria nem me ver, imagine fazer alguma amizade.

Nunca vi problema nisso. Mas concluí, com o passar do tempo, que não existia nenhum irmão gêmeo. E o homem que ela dizia ser um irmão era na verdade o próprio companheiro que vivia com ela. O que mais me surpreendeu foi o fato de eu vê-lo várias vezes, mesmo que de longe, quando a levava na minha casa ou numa praça, quando combinávamos de conversar, já que ela não dirigia o carro. Ele trazia-a para nos vermos, a deixava e ia embora rapidamente. É como se no meu inconsciente, depois de tanto "ligar os pontos" parte do meu cérebro me dizia que estava lidando com um homem que me trouxesse a companheira para que eu a engravidasse, pois certamente ele tinha algum problema de esterilidade/ impotência. Mas isso nunca foi revelado e sequer comentado quando convivíamos. É como se eu ouvisse: "ei, tome, engravide-a pois eu não tenho como, e nos dê um filho".

Descobri então várias mentiras quando recapitulava a história em minha mente: o nascimento do bebê aconteceu não na cidade da família dela e sim na mesma cidade que eu morava, sendo absolutamente possível ela me chamar para acompanhar, mas certamente o companheiro dela estava lá; não houve início de câncer que a tenha feito escolher entre a própria vida e a vida do bebê; a perda do bebê; não havia irmão gêmeo do irmão de criação e sim era o próprio ex companheiro (cito "ex" porque na época em que estava me relacionando com ela, talvez eles tinham dado o conhecido "tempo"); fatalmente o atual marido dela tinha problemas para dar um filho ao casal, pois um dia a questionei sobre o tempo em que passaram juntos e não tiveram um filho, o maior sonho da vida dela. Entre potenciais outras mentiras, que hoje não é possível saber, como por exemplo, se ela era realmente empresária, como me falava.

Fiquei aquele ano inteiro que meu filho nasceu num estado mental vegetativo. Somente conseguia sair de casa para trabalhar, afinal foram muitos choques que levei neste relacionamento e até hoje me custa acreditar que passei por tudo isso sem precisar de algum tratamento profissional ou remédios.

O fato de ter sido usado, a experiência de conviver com uma pessoa que até me quis ao seu lado, mas que demonstrava sérios problemas de saúde física e era adepta a mentiras fatais e manipulações, o fato de ter sido pai sem planejar e esperar por isso, a grandeza de sentimento por pegar um filho no colo, a tortura de me distanciar dele devido ao rumo que este caso tomou, os momentos de tristeza profunda, isolamento total e frustração por não mais poder acompanhar o desenvolvimento de uma criança que veio de mim, as pessoas (grande maioria) que nunca entenderam e até hoje não compreendem minha atitude de pensar que foi melhor assim para todas as partes e me acusar como se eu fosse um bandido que tivesse abandonado um bebê na linha do trem, o sentimento de raiva daquela mulher, na época, misturado com pena, minha própria família me condenando em vez de me acalmar, orientar e confortar, enfim. Tudo isso eu passei e alguns ainda passo atualmente.

Mas é óbvio que sei da minha parte de responsabilidade nesta história e nunca fugi dela. Porém fui colocado numa jogada de "sinuca de bico", aquela em que não temos saída. Pelo fato de, se hoje bato na porta da casa dela alegando que aquela criança é um filho(a) meu, dou todas as cartas para que ela possa me processar por calúnia e outros. Pois imagine se um homem aparece em sua casa e diz que é o verdadeiro pai do filho que você tem. E se você não tem, então imagine um estranho batendo em sua porta e dizendo a seus pais que ele é seu pai biológico e não o que você conheceu por sua vida toda?

Não sei ainda, depois de anos em que isso aconteceu, qual a maior dor: se a de ter sido afastado forçadamente de uma criança que tem meu sangue ou se a de pessoas me cravando o rótulo de um crápula, covarde, caf@jeste e um insensível que não assumiu o filho e indagando: "mas porque você não vai atrás? Vai atrás procurar, é seu direito! E etc". Mas não foi bem isso que aconteceu (de eu não querer acompanhar a vida da criança), conforme descrevi em todos os detalhes neste relato.

Poucas pessoas do meu círculo social sabem desta história. Menos ainda as que compreenderam a minha escolha de que foi melhor assim, de que talvez eu não conseguiria dar o que este meu filho tem hoje (sim, ele está em excelentes condições atualmente e tem tudo de melhor), mas sei que isso não é desculpa para nada. O fato de ele já nascer tendo pais (biológicos) separados, pois eu não iria viver com ela, também me fez crer que não faria bem a ele. Talvez ele perguntasse hoje: "ué, mas porque meu pai só vem me visitar e não mora comigo?" E eu não iria querer isso para o desenvolvimento dele.

Guerras judiciais também não iriam fazer um "vencedor". E só agravaria a história alimentando ainda mais desentendimentos, aborrecimentos, rivalidades e repelência entre ela e eu.

Em uma certa conversa, numa das últimas visitas que fiz para ver o bebê, pedi a ela que cuidasse prioritariamente da saúde dele. Dar atenção total a alimentação. Isso era o principal para mim. Também pedi que olhasse sempre o desenvolvimento dentário. Para o time que ele torcesse, para a religião que seguisse ou a carreira profissional que tivesse, estaria na mão dela e que ao menos isso eu confiaria.

E atualmente sei que a criança está muito bem. Está excelentemente bem. Todos os anos envio mensagem no dia do aniversário (gravei em minha mente este dia do nascimento como nenhuma outra data).

Ela está mais maleável a cada ano que lê mensagem enviada por mim e me informa alguns poucos detalhes sobre a criança nesse dia que mando os parabéns. E me agradece "eternamente" por ele. Como seu eu tivesse dado a ela um presente. O mais valioso que ela já ganhou na vida.

O que mais me motiva a cuidar de mim mesmo, para obter uma máxima longevidade é a existência dele (filho biológico) que um dia quero ao menos torná-lo um amigo. Sei que posso ser rejeitado ao reencontrá-lo, correrei este risco. Sei que talvez não poderei chamá-lo de meu filho. Mas para mim será o dia mais emocionante de minha vida.

Para mim bastará ele conversar comigo (não sei se conseguirei, mas pretendo contar toda esta história e com mais detalhes ainda, pois são necessários). Talvez eu até tenha escrito todo este relato pensando somente em como será lido por ele, exclusivamente.Também bastará querer pelo menos minha amizade. Pois ainda sonho em revê-lo e conhecê-lo.

8 comentários :

  1. Que história é essa! Muito complicado ter um filho de sangue e não poder vê-lo.... Mas o sentimento com o filho continua, ou seja, isso vai dar ainda muitas outras estórias..

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  2. Esse relato foi incrível. Não ligue para as pessoas que te julgam por ter tomado tal atitude, pois isso foi necessário. A pior coisa que você pode dar à uma criança é o convívio separado com os pais, pois isso afeta drasticamente o desenvolvimento do filho. Desejo felicidades para você, meu caro. Em breve, você restabelecerá contato com seu filho, então as coisas se acertarão aos poucos. Força e honra!

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  3. Eu também já fui vítima de uma vagabunda desse naipe na INTERNET ... a VADIA FICOU BANCANDO A PERFEITA a ponto de menosprezar meus neurônios, afirmando que o apelido dela no bairro e na família era "AMÉLIA" . Quando a arrombada se auto promove demais o CAFA desconfia ! Espionei a puta "eletronicamente" e frustrei todos os planos da maldita...Fiz o tiro dela sair pela culatra e atingir a fuça dela kkkkkk elas realmente acreditam que nós homens somos todos palhaços...mas aqui o caldo entornou !

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  4. Sem querer ser sacana mas eh engracado que mesmo neste blog, o politicamente correto dos comentarios correm soltos. O camarada pulou uma fogueira da porra de ter que pagar escola de fedelho, pensao e todos as outras obrigacoes que sao caras. Pelo amor de deus, eu nao to dizendo que eh correto e normal fazer gostoso e esquecer dos filhos que fez, mas se a criatura nao quer? Se a crianla nao vai ficar em falta de nada.....Ouxe, eu estourava um champagne. Que besteira essa coisa de honra de bobo. A crianca tem pai, mae e nao precisa de voce pra nada e voce vai ficar tristinho e quase dando piti porque nao vai criar. Como se fosse gratificante e empolgante criar um filho nessa latrina desse brasil. Eh essa onda de honra boba que eu nao gosto na real.

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    1. Então aí VC MESMO se coloca como um potinho de esperma, espertalhão

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    2. Concordo plenamente com você! Ele obteve o sucesso biológico e ficou totalmente liberado do ônus... Pena que o custo emocional pra ele é altíssimo!

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  5. POR ISSO QUE EU PREFIRO BATER PUNHETA. É MUITA NÓIA PRA MINHA CABEÇA!

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    1. Pelo visto, parece ser a única alternativa restante...

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